Domingo, 4 de Maio de 2008

Falas, e não sabes que poucas palavras já são demais

Todos os passos dados rumam ao lugar que se encolheu

Pois escravo, não diz a falta de uma sombra

Não sonha.

Jaz.

Nem uma réstia de silêncio animou as palavras ditas.

Quando as minha palavras falham

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugenio de Andrade


Em honra da primavera e do aroma a maias que teimosamente invade a cidade decidi escrever um poema como quem respira fundo, assim de uma lufada.
saiu tão pessoal que é "imblogável".
As maias continuam a ladear (-me) o caminho.

Maio maduro Maio

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

ausência

o meu PC pifou, sei lá zangou-se comigo. Diz que o disco duro se corrompeu. Eu intuitivamente já sabia que tudo é sujeito à corrupção.

entretanto e por causa disso deixei de:
ler mails em casa
responder a mails em casa
resolver problemas técnicos em casa
escrever papers em casa
rever cálculos em casa

as plantas agradecem a atenção
o leitor de cds anda mais activo
e as leituras começam a ficar em dia.

não me parece que tão cedo vá concertar o computador...

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Quando as minha palavras falham

SÍSIFO

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

constatações

A avaliar pela caixa de comentários, só tenho um leitor.
obrigado Carlos

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

ai Portugal...

Ao chegar a casa, fui surpreendida por um senhor de idade, que com a maior dignidade possível catava do contentor do lixo. Ofereci-lhe a laranja que me sobrou do almoço e senti-me (na miséria da minha conta bancária)uma reles capitalista.

Sábado, 5 de Abril de 2008

Tri

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

banda sonora da noite